{"id":3141,"date":"2026-05-05T18:11:28","date_gmt":"2026-05-05T21:11:28","guid":{"rendered":"https:\/\/casaneoncunha.org\/site\/?p=3141"},"modified":"2026-05-05T18:27:47","modified_gmt":"2026-05-05T21:27:47","slug":"representacao-ou-apenas-presenca-a-conta-que-nao-fecha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casaneoncunha.org\/site\/representacao-ou-apenas-presenca-a-conta-que-nao-fecha\/","title":{"rendered":"Representa\u00e7\u00e3o ou apenas presen\u00e7a? A conta que n\u00e3o fecha&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><b>Por Phelipe Baltazar <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem ocupa o poder hoje te representa ou apenas administra o seu sil\u00eancio? \u00c9 uma pergunta ret\u00f3rica, eu sei, mas precisamos encarar o espelho. Em algum momento da nossa hist\u00f3ria democr\u00e1tica, passamos a confundir presen\u00e7a com representa\u00e7\u00e3o. E, sejamos sinceros, sentar \u00e0 mesa n\u00e3o \u00e9 o mesmo que ter direito ao banquete.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pol\u00edtica, assim como os relacionamentos, s\u00f3 funciona quando entendemos o papel de cada um. O vereador deveria ser o nosso elo mais \u00edntimo com o poder p\u00fablico; ele \u00e9 o &#8220;fala que eu te escuto&#8221; institucionalizado, o s\u00edndico da nossa cidade que deveria traduzir o caos das ruas em ordem legislativa. Mas, ao olharmos para o Grande ABC, esse territ\u00f3rio pulsante e oper\u00e1rio, os n\u00fameros revelam que o motor dessa m\u00e1quina est\u00e1 operando com pe\u00e7as repetidas, basicamente uma anatomia do desequil\u00edbrio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ABC Paulista, a hist\u00f3ria \u00e9 contada em 150 cadeiras. E a matem\u00e1tica da exclus\u00e3o \u00e9 precisa:<\/span><\/p>\n<p><b style=\"font-weight: 400;\">Tabela 1 &#8211; Composi\u00e7\u00e3o das C\u00e2maras Municipais (2025-2028)<br \/>\nClique na imagem para expandir.<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/midiasdapri.my.canva.site\/voltar-ao-texto\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3149\" src=\"https:\/\/casaneoncunha.org\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ChatGPT-Image-5-de-mai.-de-2026-17_51_52-300x169.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apenas <strong>14 mulheres<\/strong>. <strong>Menos de 10%<\/strong>. A aus\u00eancia de corpos <strong>trans e travestis<\/strong> n\u00e3o \u00e9 apenas um dado estat\u00edstico; <strong>\u00e9 um sintoma<\/strong>. Se a pol\u00edtica \u00e9 o motor da sociedade, <em>a representatividade \u00e9 o combust\u00edvel.<\/em> Sem ela, a m\u00e1quina ignora a maioria da popula\u00e7\u00e3o e segue um padr\u00e3o confort\u00e1vel demais de tratar o poder como &#8220;coisa de homem&#8221;, mesmo ironicamente, um <strong>substantivo masculino para uma palavra, <\/strong><\/span><strong><i>pol\u00edtica<\/i>, que \u00e9 <em>feminina.<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Como observou Simone de Beauvoir: \u201cN\u00e3o se nasce mulher: torna-se.\u201d [1]. <\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, parece que ainda estamos tentando, com um esfor\u00e7o herc\u00faleo, permitir que mulheres se &#8220;tornem&#8221; poder, mas esse teto de vidro \u00e9 blindado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se ampliarmos o olhar, o cen\u00e1rio n\u00e3o melhora; ele apenas ganha escalas maiores. <strong>Na ALESP, 73,4% das cadeiras pertencem a homens.<\/strong><br \/>\nNo Senado, eles s\u00e3o 80,3%. E, no topo da pir\u00e2mide, o Supremo Tribunal Federal (STF) nos <em>entrega a estat\u00edstica mais amarga,<\/em> reparem, em 1<strong>35 anos de hist\u00f3ria moderna, levamos 110 para ver a primeira mulher,<\/strong> Ellen Gracie, ocupar uma vaga. Desde ent\u00e3o, apenas Rosa Weber e C\u00e1rmen L\u00facia se juntaram a esse <em>seleto e solit\u00e1rio grupo.\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, temos uma \u00fanica ministra, <strong>C\u00e1rmen L\u00facia,<\/strong> revogando espa\u00e7o sobre corpos, vidas e direitos de milh\u00f5es de brasileiras, cercada por dez homens. Hannah Arendt escreveu que \u201ca pol\u00edtica trata da conviv\u00eancia entre diferentes\u201d [2]. Mas como conviver com o diferente se ele n\u00e3o est\u00e1 sequer na sala?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 apenas ocupar espa\u00e7os, \u00e9 redefinir. Quando uma mulher,<strong> especialmente uma mulher trans ou uma pessoa LGBTQIA+<\/strong>, entra na pol\u00edtica, ela n\u00e3o leva apenas um CPF, <strong>ela carrega pautas<\/strong> que foram sistematicamente deixadas em outros c\u00f4modos da hist\u00f3ria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim, resta a pergunta que ecoa em cada sess\u00e3o legislativa, <strong>quem fala por voc\u00ea hoje realmente entende o que voc\u00ea vive?<\/strong> Representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sobre estat\u00edstica, \u00e9 sobre espelho. E, convenhamos, ainda estamos muito longe de nos reconhecer na antiga pol\u00edtica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[1] BEAUVOIR, Simone de. <\/span><b>O Segundo Sexo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. [2] ARENDT, Hannah. <\/span><b>O que \u00e9 Pol\u00edtica? <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017.<br \/>\n2019. [2] ARENDT, Hannah. <b>O que \u00e9 Pol\u00edtica? <\/b>Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas 14 mulheres. Menos de 10%. A aus\u00eancia de corpos trans e travestis n\u00e3o \u00e9 apenas um dado estat\u00edstico; \u00e9 um sintoma. Se a pol\u00edtica \u00e9 o motor da sociedade, a representatividade \u00e9 o combust\u00edvel. Sem ela, a m\u00e1quina ignora a maioria da popula\u00e7\u00e3o e segue um padr\u00e3o confort\u00e1vel demais de tratar o poder como &#8220;coisa de homem&#8221;, mesmo ironicamente, um substantivo masculino para uma palavra, pol\u00edtica, que \u00e9 feminina.<br \/>\nSe ampliarmos o olhar, o cen\u00e1rio n\u00e3o melhora; ele apenas ganha escalas maiores. Na ALESP, 73,4% das cadeiras pertencem a homens.<br \/>\nNo Senado, eles s\u00e3o 80,3%. E, no topo da pir\u00e2mide, o Supremo Tribunal Federal (STF) nos entrega a estat\u00edstica mais amarga, reparem, em 135 anos de hist\u00f3ria moderna, levamos 110 para ver a primeira mulher, Ellen Gracie, ocupar uma vaga. 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