E se a pergunta não fosse apenas “como você está?”, mas “como você tem cuidado de você?”
Talvez a resposta não venha em palavras, mas em gestos simples como autocuidado, tocar a terra, misturar cores, compartilhar um momento. Foi exatamente nesse espaço, entre o fazer e o sentir, que recebemos em nossas instalações a estudante de Psicologia Marília Sousa, para realizar uma atividade de bem-estar com horta terapêutica em vasos autoirrigáveis e pintura com cotonetes e guache.
Pode parecer apenas uma atividade recreativa. Mas não é.
As práticas artísticas e atividades com plantas exercem impacto direto na promoção da saúde mental e do bem-estar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que atividades artísticas contribuem para a redução do estresse, promoção de vínculos sociais e melhora da qualidade de vida [1]. Ou seja, criar, pintar, plantar é cuidar.
A horta terapêutica, por exemplo, vai muito além do cultivo de plantas. É uma prática que envolve atenção, responsabilidade e conexão com processos vivos. Estudos indicam que a horticultura terapêutica está associada à redução de sintomas de ansiedade e estresse, além de promover bem-estar psicológico e social [2]. Em contextos de acolhimento, essa prática ganha ainda mais força, ela devolve ao indivíduo a experiência do cuidado contínuo, do tempo e da construção.
Já a atividade de pintura, realizada com cotonetes e guache, mobiliza outras dimensões. A expressão artística tem sido associada ao aumento do bem-estar subjetivo, autoestima e fortalecimento da atenção plena [3]. Criar com as mãos permite que emoções encontrem caminhos de expressão que nem sempre passam pela fala,em espaços de acolhimento, é fundamental.

Não por acaso, pesquisas voltadas para instituições de cuidado mostram que atividades artísticas e recreativas contribuem significativamente para a qualidade de vida dos participantes, promovendo experiências mais positivas, maior engajamento e sensação de pertencimento [4]. Sendo assim, o que pode parecer simples do lado de fora, é profundamente transformador por dentro.
A extensão universitária se revela como ponte, mais do que levar conhecimento, ela constrói relações. No Brasil, a extensão é compreendida como um processo entre ensino, pesquisa e compromisso social, promovendo trocas entre universidade e comunidade [5]. A presença de estudantes na casa, representa exatamente uma via de mão dupla, em que todos aprendem, todos ensinam e todos se transformam.
A atividade também foi viabilizada por meio da troca de kits de higiene, fundamentais para o cotidiano dos moradores. A estudante trouxe não apenas o conhecimento e a proposta da atividade, mas também todos os materiais necessários para sua realização, além dos kits destinados aos acolhidos. Esse gesto reforça algo essencial, o cuidado precisa ser concreto. Ele se materializa tanto na escuta quanto nas condições básicas de dignidade.
Seguimos, com as portas abertas para projetos de extensão que desejem somar, construir e compartilhar. Acreditamos que o bem-estar nasce justamente nesses encontros, onde teoria e prática se entrelaçam, onde o cuidado ganha forma e onde pequenas ações geram impactos duradouros. Porque, no fim, talvez a pergunta mais importante não seja “o que fizemos hoje?”, mas “o que cultivamos juntos?”
Referências bibliográficas
[1] Fancourt, D.; Finn, S. What is the evidence on the role of the arts in improving health and well-being? A scoping review. World Health Organization, 2019.
[2] Lu, S. et al. Horticultural therapy for stress reduction: A systematic review and meta-analysis. Frontiers in Psychology, 2023.
[3] Keyes, H. et al. Creating arts and crafting positively predicts subjective wellbeing. Frontiers in Public Health, 2024.
[4] Curtis, A. et al. The impact of arts on health and wellbeing in care homes: A systematic review. Dementia, 2018. [5] Brasil. Extensão universitária: princípios e diretrizes. Ministério da Educação.





