Se a Casa Neon Cunha acabar, quem vai servir o prato que hoje servimos?

A Casa Neon Cunha fo fundada em 2018, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, a iniciativa nasceu de uma necessidade urgente: acolher pessoas LGBTQIA+ em situação de extrema vulnerabilidade. Pessoas expulsas de casa, vítimas de violência ou sem qualquer rede de apoio. Desde o início, a proposta foi simples e ao mesmo tempo essencial: oferecer moradia provisória, proteção e dignidade para quem teve direitos básicos negadosl.

Quando a Casa Neon inaugurou sua sede física, em 2021, tornou-se o único abrigo específico para pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade em toda a região do ABC Paulista. A iniciativa se transformou em uma referência regional, mas também expôs um desafio profundo: a ausência de políticas públicas estruturadas e financiamento contínuo para esse tipo de serviço. Na prática, isso significa que um trabalho reconhecido pela rede de saúde e assistência social ainda depende de mobilização constante para continuar existindo.

Em 2025, o abrigo ampliou sua capacidade de acolhimento de 16 para 24 vagas após identificar que pessoas estavam dormindo nas ruas enquanto aguardavam uma oportunidade de entrar no serviço. Hoje, todas as vagas estão ocupadas.

Além do acolhimento residencial, a organização realiza trabalho de campo com mulheres trans trabalhadoras do mercado sexual, oferecendo orientação, escuta e encaminhamento para serviços de saúde e assistência. No total, a Casa Neon atende até 250 pessoas por mês por meio de suas diferentes frentes de atuação.

Manter essa estrutura funcionando exige recursos significativos. O custo mensal da instituição gira em torno de R$ 160 mil, valor destinado ao pagamento de aluguel, alimentação, água, energia, gás, internet, equipe técnica e atividades formativas para as pessoas acolhidas. Trata-se de um serviço que atualmente nenhuma cidade da região oferece de forma institucionalizada.

Grande parte da sustentação financeira da Casa Neon Cunha vem de emendas parlamentares, especialmente das deputadas federais Erika Hilton e Sâmia Bomfim, que financiam diretamente o acolhimento e o centro de qualificação profissional. A organização também conta com apoio de parlamentares como Barba, Ediane Maria e Suplicy em iniciativas de formação e desenvolvimento. Ainda assim, os recursos não são suficientes para garantir estabilidade permanente ao projeto.

Outro desafio enfrentado pela instituição é a resistência de parte da vizinhança, que associa a presença das pessoas acolhidas a desordem e criminalidade. Para a equipe da Casa Neon, no entanto, o compromisso sempre foi outro: salvar vidas e construir caminhos de autonomia para quem foi empurrado para a margem da sociedade.

Quando o poder público não chega, a Casa Neon chega.
Quando o sistema expulsa, a Casa Neon acolhe.

Diante desse cenário, a organização convocou um ato público em defesa da continuidade de suas atividades. O objetivo não é apenas pedir recursos, mas chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a importância desse equipamento social para toda a região do ABC.

A situação da Casa Neon Cunha também reflete um fenômeno mais amplo no Brasil. Outras organizações que atuam no acolhimento da população LGBTQIA+ enfrentam dificuldades semelhantes. Recentemente, a Casa 1, em São Paulo, também anunciou risco de fechamento por falta de financiamento, mobilizando artistas e sociedade civil para garantir sua continuidade.

Apesar das dificuldades, a Casa Neon Cunha tem recebido reconhecimento internacional. Organismos como a ONU e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), além de embaixadas e consulados, já reconheceram a importância do trabalho realizado pela instituição.

Mas reconhecimento, sozinho, não pagan as contas do projeto social.

Reconhecimento não paga aluguel,não compra alimentos e não mantém as portas abertas.

Para continuar existindo, a Casa Neon Cunha precisa de apoio imediato. Isso significa compromisso concreto de prefeitos, vereadores e deputados das sete cidades do ABC, além do engajamento da iniciativa privada e da sociedade civil.

Porque quando uma casa como essa fecha,as pessoas voltam para a rua.

A permanência da Casa Neon Cunha é, acima de tudo, um compromisso coletivo, que precisa de você!

Mas para continuar fazendo esse trabalho, precisamos nos mobilizar agora.

📍 ATO EM DEFESA DA CASA NEON CUNHA
📍Sábado, 7 de março 14h
📍 Rua Luiz Ferreira da Silva, 183 – Anchieta, São Bernardo do Campo

Pri Schoof